Quem nunca foi ridicularizado por um colega ou foi vítima de fofocas, apelidos, empurrões e risadinhas na escola?
Esta prática, muitas vezes confundida com brincadeira, é capaz de ocasionar traumas e dores que serão carregadas até a vida adulta e, influenciarão em muitas escolhas e decisões daqueles que foram agredidos.
Bullying é um termo da língua inglesa ( Bully = valentão ) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder.
Conflitos entre crianças e adolescentes são comuns, pois trata-se de uma fase de insegurança e autoafirmação. Porém, quando os desentendimentos são frequentes e partem para humilhações, é aí que o bullying ganha espaço.
O agressor, em geral, tem uma mente perversa e às vezes doentia. Ele é consciente de seus atos e consciente que suas vítimas não gostam de suas atitudes, mas agride como forma de se destacar entre seu grupo. Assim, os agressores pensam que serão mais populares e sentem poder por realizarem tais atos.
O bullying é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola, universidade, família, mas pode ocorrer também no local de trabalho e entre vizinhos. Há uma tendência de as escolas não admitirem a ocorrência do bullying entre seus alunos, por desconhecerem o problema ou se negarem a enfrentá-lo. Esse tipo de agressão geralmente ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas adultas é mínima ou inexistente.
No espaço escolar, quando não ocorre uma efetiva intervenção contra o bullying, o ambiente fica contaminado e os alunos, sem exceção, são afetados negativamente, experimentando sentimentos de medo e ansiedade, em casos extremos podendo ocorrer até o suicídio.
Foi publicada no Diário Oficial da União, em 15.05.18, a Lei 13.663/2018. O texto determina que todos os estabelecimentos de ensino terão como incumbência a promoção de medidas de conscientização, prevenção e combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática ( bullying ) e ainda estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz nas escolas.
Muitos são os fatores que fazem uma pessoa praticar o bullying e, já é sabido que não é caso isolado dentro das escolas, mas uma questão de saúde pública, atingindo todas as classes sociais e níveis econômicos. Muitas vezes o aluno que pratica o bullying é alvo de violência verbal ou física dentro da sua própria casa ou, quer se sentir poderoso humilhando outros para esconder suas falhas e, assim obter uma boa imagem de si mesmo.
Existem ainda, aqueles que são expectadores do bullying. Estes são testemunhas das práticas e, muitas vezes não fazem nada para ajudar seus colegas, pois temem sofrer as mesmas depreciações.
E por fim, a vítima do bullying. Àqueles que conseguem reagir podem alternar momentos de ansiedade e agressividade. Para mostrar que não são covardes ou quando percebem que seus agressores ficaram impunes, os alvos podem escolher outras pessoas mais indefesas e passam a provocá-las, tornando-se alvo e agressor ao mesmo tempo. Existem também as vítimas socialmente mais frágeis e, estas são as que sofrem as maiores dores emocionais, arrastando correntes como baixa estima e desvalorização de suas competências até a vida adulta. Trata-se de jovens que estão em processo de formação, buscando a construção de sua identidade e, se deparam com formas cruéis de violência verbal ou física.
Com o avanço da tecnologia, o bullying saiu dos espaços escolares e, passou a tomar corpo e grandeza também através das redes sociais. O “cyberbullying” é uma violência virtual e, ocorre geralmente por machismo, xenofobia, misoginia, homofobia, intolerância religiosa e racismo. Pesquisas revelam dados assustadores sobre os ataques por meio da internet, onde um em cada dez jovens já sofreu ataque virtual. Os agressores usam o espaço virtual para intimidar e hostilizar uma pessoa ( colega de escola, professores, ou mesmo desconhecidos) difamando, insultando ou atacando covardemente. Essa prática discriminatória e vexatória pode ser denunciada e os agressores punidos. Tanto os adolescentes quanto os responsáveis legais podem responder na justiça através da Vara da Infância e Juventude, bem como pagar indenizações por danos morais.
O importante é estimular uma cultura de respeito também na Internet, valorizando as liberdades para que a diversidade de opiniões, visões e pensamentos possam aflorar nesta grande rede de contatos. O problema não é a Internet, mas sim a forma como educamos nossas crianças e adolescentes a usarem e frequentarem esta grande praça pública digital.
Juntos, ensinemos nossos filhos a respeitar o próximo, mesmo que este em nada se pareça com a gente e, se amar de tal forma que nada e ninguém possa abalar sua autoestima.
Biografia

Michele K. B. Machado formou-se em Farmácia, no ano 2000, pela Universidade Metodista de Piracicaba. Focou seus estudos na gestão de pessoas e, no varejo farmacêutico, onde atuou nestes 18 anos de formação.
Sua responsabilidade profissional e, seu viés social proporcionaram verdadeiros cases de sucesso no cuidado à saúde da comunidade. Sempre pautada em orientações verticalizadas e socialmente necessárias contribuiu para a manutenção e geração de cuidado à saúde das comunidades em que esteve inserida

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