SUÍNOS/CEPEA: Volume “não-exportado” pressiona cotações internas

Cepea, 17 – As consecutivas baixas nos preços do animal vivo e da carne têm aumentado a apreensão do setor suinícola. Agentes colaboradores do Cepea estimam que as fortes quedas nas últimas semanas ainda refletem a suspensão por parte da Rússia da compra de carne suína de alguns frigoríficos do Sul do Brasil. O volume então provisionado para a exportação continuaria chegando “em excesso” ao atacado nacional.

As exportações parecem mesmo ter sua parcela de responsabilidade sobre a desvalorização do vivo e da carne no mercado nacional. Comparações do volume embarcado num mês com a quantidade de igual mês do ano anterior – o objetivo é dar uniformidade sazonal – revelam quedas ao longo dos últimos 12 meses (de fev/10 a jan/11) com uma única exceção em agosto, quando os embarques superaram em 5% os de agosto de 2009. É importante observar ainda que, em 2009, a economia sentia com muito mais intensidade os reflexos da crise financeira internacional que ao longo de 2010.

A explicação para as fortes desvalorizações baseada no aumento da oferta é respaldada também pelo ritmo da economia nacional, que sinaliza consumo (geral) aquecido. Vale notar ainda que a carne suína está “muito barata” em relação à bovina no atacado. Na primeira semana de fevereiro, o preço médio da carcaça casada bovina no atacado da Grande SP era 63% maior que o da carcaça comum suína. Na primeira semana de fevereiro de 2004 a 2010, a vantagem do boi era em média de 14,5% – foram analisadas especificamente a primeira semana de fevereiro de cada ano.

Conforme colaboradores do Cepea, muitas indústrias estariam com estoques em níveis relativamente altos, o que as levaria a diminuir as aquisições de animais. Alguns frigoríficos passaram também a negociar a carcaça inteira, ao invés dos cortes, na tentativa de reduzir custos.

Com isso, o preço do suíno vivo caiu em praticamente todas e as praças acompanhadas pelo Cepea no acumulado de fevereiro. Entre 31 de janeiro e 16 de fevereiro, o suíno vivo negociado na região SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba) desvalorizou expressivos 15,3%, comercializado a R$ 2,27/kg, em média, nessa quarta-feira, 16. No Sul do País, as quedas em algumas regiões também foram muito significativas. Em Cascavel (PR), por exemplo, a baixa chegou a 13%, com média de R$ 2,00/kg na quarta.

No mercado atacadista da Grande São Paulo, o preço médio da carcaça especial recuou 10,7% no acumulado deste mês, a R$ 3,80/kg na quarta. A carcaça comum desvalorizou 11,6% no mesmo período, comercializada a R$ 3,57/kg.

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