Seapa combate ferrugem asiática


Maioria dos produtores do DF aderiu ao programa Vazio Sanitário
Priscila Rodrigues
A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Distrito Federal (Seapa/DF) realizou, pelo quarto ano consecutivo, o programa Vazio Sanitário da Soja. O prazo para adesão terminou ontem. A ação consiste na proibição do plantio e eliminação das plantas vivas da soja, com o objetivo de reduzir as chances de proliferação da ferrugem asiática na safra deste ano. Além do DF, outros estados foram contemplados com a ação – Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia.
A ferrugem é uma praga asiática que ataca as folhas de soja e prejudica o desenvolvimento da planta, causando queda prematura e amarelamento. É causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, um dos mais devastadores do campo. Seu controle é caro e difícil, pois ele se espalha facilmente, podendo ser transportado até mesmo pelo vento.
O fungo foi encontrado pela primeira vez no Continente Americano em 2001. A agressividade da doença no Brasil iniciou-se em 2003, e revelou níveis antes nunca relatados, devido às condições climáticas bastante favoráveis ao seu desenvolvimento, sobretudo no Cerrado. O fungo causador da ferrugem é considerado um patógeno biotrófico, que sobrevive e se multiplica em hospedeiro vivo.
Os produtores que cultivarem plantas vivas de soja no período do Vazio Sanitário serão notificados para que, no prazo de cinco dias úteis, providenciem a eliminação total da soja. Quem não cumprir a decisão receberá uma intimação, que determinará a ausência total da planta em um prazo de até cinco dias úteis. Se houver reincidência, os autos serão enviados ao Ministério Público para abertura de processo, e o responsável receberá sanções administrativas.
O gerente de Defesa Sanitária da Seapa/DF, Álvaro Caldas, explica que se trata de uma medida preventiva. “Tivemos uma adesão de 98% dos produtores de soja. Deste modo, o índice de ferrugem é menor. Nesse período, cai o custo de produção, porque o número de aplicações preventiva de fungicidas diminui. Consequentemente, a quantidade de focos é reduzida e a produtividade aumenta”, afirmou Caldas.
A contenção é feita pelos agricultores com o uso de fungicidas. Porém, o método não é 100% eficaz porque quando a soja cresce, os pés ficam muito próximos uns dos outros, e o veneno não consegue atingir as folhas de baixo. O método de pulverização é caro. O litro do veneno custa, em média, R$ 85. Outra desvantagem é que a quantidade é suficiente apenas para aplicação em dois hectares de terra.
Este ano, a Gerência de Defesa Sanitária Vegetal da Seapa/DF notificou 63 produtores de soja apenas na primeira visita às propriedades rurais. Já na segunda verificação, os fiscais encaminharam ao Ministério Público cinco proprietários que não adotaram a medida.
O Brasil ocupa a segunda posição de maior produtor de soja do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. O produto representa o maior peso nas exportações brasileiras. Dados divulgados pela Consultoria Agrosult mostram que a safra 2009/2010 registrou um recorde de R$ 68 milhões de toneladas do alimento.
A área de cultivo da safra anual foi de 23,2 milhões de hectares, contra 21,7 milhões de hectares da temporada anterior. A colheita da soja supera a metade da área total plantada em todo Brasil. Ocorreu, ainda, o aumento das lavouras transgênicas para 72%, superando os 64% do período anterior.
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Vazio Sanitário não tem como objetivo sanar o problema da ferrugem, e sim divulgar uma estratégia a mais de manejo, que busca reduzir o inóculo nos primeiros plantios. Dessa forma, reduz-se a possibilidade de aparecimento de focos da doença no período vegetativo. Com isso, o número de aplicações de fungicida para controle da praga e o custo de produção diminuem. Hoje, o único método de evitar reduções de produtividade na presença da ferrugem é a realização do controle químico, nocivo ao meio ambiente.

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