Rio de Janeiro investe na produção de rochas ornamentais sustentáveis

Pedras de Santo Antônio de Pádua conquistam certificação de origem

Por abrigar 82 pedreiras e 76 serrarias, Santo Antônio de Pádua, no Rio de Janeiro, é conhecida como “cidade das águas e pedras”. Em decorrência da atividade, a região fluminense sofria com o descarte de resíduos da exploração mineral, que poluía rios, matava peixes e prejudicava rebanhos e a população local. Até que o Arranjo Produtivo Local (APL) de Rochas Ornamentais lançou aos empresários locais o seguinte desafio: produzir os revestimentos rochosos usados em paredes, muros e pisos de forma sustentável.
Instituições de pesquisa como o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), com apoio do Sebrae e do Sindicato de Extração e Aparelhamento de Gnaisses do Noroeste do Rio de Janeiro, se uniram aos empresários interessados para desenvolver uma prática recentemente reconhecida pelo Prêmio Brasil Meio Ambiente, Prêmio Ouro Azul e o Prêmio Finep Inovação Social.
Um processo simples de decantação recuperou 90% da hidrografia regional e gerou economia elétrica para as companhias. Para efetuar o corte das rochas, as serrarias utilizam uma serra úmida. Antes, a água que escorria da máquina seguia para os rios da cidade cheia de pó. Agora, o líquido é levado por canais até tanques especiais onde recebe um produto que faz com que a sujeira permaneça no fundo do recipiente e possa ser sugada. Após o procedimento, a água é reutilizada no maquinário de corte.
Desde 2008, o pó que fica no fundo dos tanques é recolhido diariamente nas serrarias da cidade pela Argamil, produtora de argamassa que foi denominada “fábrica verde”. São duas mil toneladas de pó e 20 mil toneladas de aparas por mês, que antes eram abandonadas em qualquer canto do município. Estes pedaços de pedra são moídos e transformados em areia: matéria-prima para a produção mensal de cinco mil toneladas de argamassa. Wilsomar Calegário, supervisor técnico da Argamil, acredita que a iniciativa atrai benefícios ambientais e financeiros para a empresa. “Este trabalho chama a atenção de consumidores preocupados com o meio ambiente”, ele ressalta.
O INT descobriu que o resíduo também pode ser usado na fabricação de borracha para pneus e, misturado à argila, na produção de tijolos.

 Indicação geográfica

Assim como o queijo está associado ao estado de Minas Gerais e o vinho ao Rio Grande do Sul, as rochas ornamentais sustentáveis conquistaram mais um motivo para remeter à carioca Santo Antônio de Pádua. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) concedeu às pedras da região a Indicação Geográfica de Denominação de Origem: uma forma de agregar valor e credibilidade a um produto ou serviço, conferindo-lhes um diferencial de mercado em função das características da privilegiada geologia do RJ.

 http://revistagloborural.globo.com/

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