Para Cutrale, seca ameaça próxima safra de laranja

ROBERTO SAMORA – REUTERS
A Cutrale, uma das maiores produtoras de suco de laranja do mundo, avalia que a esperada recuperação na produção da fruta no cinturão citrícola paulista no ano que vem pode não ocorrer, após uma queda na safra da atual temporada, afirmou o diretor corporativo da companhia nesta quinta-feira.
Segundo Carlos Viacava, uma seca prolongada na região norte de São Paulo, principal Estado produtor do Brasil, e chuvas ainda insuficientes no sul paulista ameaçam as floradas para a próxima safra, que começará a ser colhida somente em 2011.
Viacava afirmou que o norte paulista sofre com uma seca de 110 dias, situação que agrava um quadro de oferta já preocupante pelo avanço do greening, doença que exige a erradicação da árvore atingida.
“A estimativa de safra é feita só em março e abril. Vejo que essa seca ameaça, mas não sei o que vai acontecer… A seca pode frustrar essa expectativa de recuperação, a seca, o greening que está aumentando”, disse em entrevista.
O diretor da Cutrale afirmou que o processamento da safra atual está mostrando que as estimativas anteriores da companhia sobre a produção destinada à indústria estão se confirmado.
A Cutrale espera uma redução de 13 por cento na produção de laranja para uso industrial, para 251 milhões de caixas de 40,8 kg, em função dos problemas climáticos no ano passado –um inverno chuvoso causou maior incidência de uma doença fúngica conhecida como estrelinha.
Além disso, as chuvas no ano passado também provocaram perdas em parte da florada.
Mas se o tempo está seco este ano, o que levanta uma nova preocupação para a indústria, de outro lado os produtores estão recebendo mais pela fruta, em função da menor oferta.
“Com o preço bom, o pessoal vai cuidar melhor do pomar”, disse Viacava, lembrando que em alguns casos o preço pago pela caixa de laranja quadruplicou.
Se o preço pago pela fruta está melhor, a Cutrale também estima que as exportações em 2010/11 (julho/junho) possam crescer cerca de 20 por cento na comparação com os 1,76 bilhão de dólares de 2009/10.
“O mercado está reagindo e espero que a indústria consiga repassar os maiores preços pagos aos produtores”, disse ele, ao ser questionado sobre margens.
ANTECIPAÇÃO
A Cutrale havia processado até julho cerca de um terço da safra esperada da fruta em 2010/11, um avanço considerável em relação à mesma época da temporada passada, informou a companhia nesta quinta-feira.
“Entre maio e julho deste ano, a empresa já concluiu 33 por cento da safra. No mesmo período de 2009 o índice era de 12 por cento”, relatou a Cutrale, que perdeu o posto de primeira do ranking no Brasil após a fusão da Citrosuco e Citrovita, em maio deste ano.
A Cutrale havia anunciado anteriormente ter começado o processamento da safra com cerca de 45 dias de antecipação, em função do inverno chuvoso no ano passado.
“Estamos a plena carga em todas as fábricas”, disse o executivo, lembrando que por conta da antecipação a safra deve ser encerrada até o início de janeiro –normalmente, o setor colhe até março.
Mas a empresa, que responde por cerca de 35 por cento das exportações de suco do Brasil, não informou em comunicado volumes produzidos da commodity.
As exportações continuam representando 97 por cento dos negócios da Cutrale, um percentual semelhante ao do setor.
A indústria de suco de laranja no Brasil, dominada por três empresas (Citrosuco/Citrovita, Louis Dreyfus e Cutrale), responde por 80 por cento do comércio global de suco. 
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