EUA surpreendem com duas supersafras

Apesar da estimativa recorde para a produção de soja e milho, crise do trigo sustenta alta das cotações na Bolsa de Chicago

Chicago (EUA) – Ao anunciar uma estimativa de produção de 93,4 milhões de toneladas de soja e 339,5 milhões de toneladas de milho na safra 2010/2011, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado na manhã de ontem. As últimas grandes safras foram na temporada passada, com 91,4 milhões de toneladas de soja e 333 milhões de milho. Por causa do anúncio de ontem, a Bolsa de Chicago, referência na formação de preços e comércio de grãos, teve um dos pregões mais agitados do ano. Na véspera da divulgação do relatório de oferta e demanda mundial, era quase unânime a opinião de que a nova previsão iria mostrar uma estabilidade no milho e uma redução no potencial da soja, devido ao excesso de chuvas verificado nas últimas semanas, principalmente no estado de Iowa, que, ao lado de Illinois, é um dos maiores produtores do país.
Pouco antes da abertura do pregão, Joe Bedore, executivo do CME, grupo que controla a Bolsa de Chicago, disse que o mercado tentou influenciar o relatório, operando em baixa durante boa parte da semana. Segundo Bedore, a tática não funcionou porque “os números do USDA deixam claro que o atual rali de preços não está sendo conduzido pelos fundos de investimento, mas atende aos fundamentos de oferta e demanda, movimento sustentado principalmente pela crise do trigo”. Em comparação a julho, o relatório de ontem reduziu a produção mundial de trigo em 15,3 milhões de toneladas, de 661,1 milhões para 645,7 milhões de toneladas. A quebra é resultado da forte estiagem no Leste Europeu, principalmente na Rússia e Ucrânia, importantes produtores do cereal. Da redução total estimada, 11 milhões de toneladas deixaram de ser produzidas nesses dois países.
O grande destaque do relatório são os índices de produtividade. Apesar da expectativa de que o clima poderia ter comprometido o rendimento das lavouras, o USDA mostrou o contrário. Com 165 bushels/acre, ou 10.350 quilos/hectare, o milho supera o desempenho do ciclo anterior, até então o melhor de todos os tempos, de 164,7 bushels. Difícil de acreditar, dizem alguns analistas, mas a previsão para a soja iguala a marca do ano passado, de 44 bushels/acre, ou 2.960 quilos/hectare.
Jack Scoville, vice-presidente da corretora Price Group, em Chicago, alerta, porém, que nem tudo está resolvido e que o governo americano poderá ter de rever os números. Ele acredita que o relatório não absorveu o impacto do excesso de chuvas em parte do Corn Belt, o chamado cinturão do milho. A umidade excessiva ainda pode relevar surpresas, com recuo na produtividade, diz.
Preços sustentados
A supersafra, em tese, deveria fazer cair os preços da soja e do milho, mas não foi o que ocorreu ontem. A queda significativa na produção mundial de trigo sustentou os preços dos outros grãos, que acabam usados em substituição ao cereal, fortalecendo ainda mais a demanda e a capacidade de ex­­portação dos EUA. Scoville acredita que não há muito espaço para queda nas cotações. Para novembro, ele prevê soja entre US$ 9,50 e US$ 10 por bushel (27,2 quilos) e o milho a US$ 3,90 (25,4 quilos). A colheita dos EUA começa no fim de setembro e se intensifica entre a segunda quinzena de outubro e primeira de novembro.
http://www.gazetadopovo.com.br/

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